Se
toque
Além
de relaxar pele, músculos e nervos, o toque mexe com as energias
invisíveis que produzem e mantêm uma vida saudável
e equilibrada. E isso a gente pode fazer até sozinho
por Alessandro Meiguins | fotos Manuel Nogueira |
Produção Paola Petti Cerveira Modelos Regina Reis (Elite),
Carlos Varela (Elite) | Maquiagem Fabricio Ferreira (B.L.Z) | Agradecimentos
Freshy Lounge, Lingerie Liz
Ainda não tinha cansado de fazer piadas sobre o Jeff quando aconteceu
comigo. Esse meu amigo subiu no telhado para ajustar a antena e quase
precisou dos bombeiros para tirá-lo de lá. Uma pinçada
no meio das costelas surgiu em um movimento brusco, e ele passou duas
semanas de molho em casa. Cá entre nós, nada melhor para
os amigos rirem. Só deixei de ver graça na situação
quando minhas costas também chiaram - estava na mesma situação
dele, em atividade sedentária e postura duvidosa em frente ao
computador, por longas jornadas diárias.
Dia após
dia, semana após semana, fui sentindo aquela dor aumentar. Quando
finalmente decidi procurar alguém para apertar minhas costas,
achei que uma, no máximo duas massagens já resolveriam.
Na verdade, foram dois anos aprendendo a sentar novamente, a apoiar
melhor os pés no chão, a ficar em pé com a coluna
encaixada no lugar certo, sem falar nas muitas, mas muitas massagens
para reordenar toda a minha cadeia muscular, do pescoço até
os pés. Foi uma trabalheira danada despertar meu corpo. Porque,
com o toque, você não sente só sua pele, seus músculos,
seus ossos e nervos. Sente o seu contorno, passa a ter noção
da casa onde você mora, a vida que pulsa em cada célula.
Não é de se espantar que a procura pela massagem esteja
em voga nos Estados Unidos, na Europa e nas grandes metrópoles
do Brasil - sem falar no Oriente, onde é moda há uns 6
mil anos.
Cada sessão
dura, em média, uma hora. Nesse período, a mão
do massoterapeuta - nome erudito do massagista - pressiona suas costas,
pescoço, ombros, braços, mãos, dedos, nádegas,
coxas, panturrilhas, cabeça e até sobrancelhas. Empurra
sua perna para um lado, para outro. Te põe de bruços,
te vira para cima. Aperta tudo.
Ao final,
uma sensação de leveza, de estar novo em folha. Inegável,
é um presente - há quem dê sessões aos amigos
em aniversários!
Mas a massagem
não é uma solução fácil. Quer saber
por quê? Porque todas irão propor que você entre
em contato não só com seu corpo, mas com tudo que está
guardado nele. A dor no meio das costas, por exemplo. Ela pode ser causada
pelo pescoço, que está muito pra frente, sobrecarregando
a coluna cervical. O pescoço projetado para a frente é
um erro de postura que, independentemente de sua história, pode
ser interpretado como excesso de ansiedade, idéias à frente
dos fatos, falta de contato com o hoje. Para resolver a dor, só
vivendo mais no aqui e agora.
Revisão
geral
Explico: com os pensamentos no presente, o corpo fica mais centrado,
e sua cabeça, nuca e pescoço relaxam naturalmente. Por
outro lado, vendo a questão à luz da medicina chinesa,
um bom doutor poderia lhe dizer algo quase incompreensível, como:
"Existe uma deficiência de yin do Gan e do Shen com ascensão
de fogo falso do Gan. Há um excesso de atividade, hiperestimulando
o metabolismo. Falta acalmar a mente, repousar e nutrir-se. Ou seja,
mesmo por outro ponto de vista, você também precisa entrar
em contato com o presente. No final, a massagem - sim, aquela deliciosa
massagem - visa uma cura completa, uma revisão da sua vida, não
um alívio rápido para dores. Para isso bastariam analgésicos.
E pode não ser uma revisão rápida.
Passei quatro dias experimentando todo tipo de massagem - imagine o
doce sacrifício - e percebi que alguns processos são propositadamente
longos, planejados para mexer com calma em sua estrutura. Isso para
lhe dar tempo de assimilar as mudanças, de aceitá-las
e, o mais importante, de querê-las. "Meu trabalho vai até
onde a pessoa permite, nem mais nem menos", diz Beatriz Whitaker,
terapeuta de rolfing, uma técnica de massagem que surgiu no século
20 (a partir da página 24 você encontra mais informações
sobre este e outros tipos de massagem). "Porque o que importa é
caminhar junto, trabalhar junto."
O
caminho do toque
Com uma história de milhares de anos, a massagem pode ser vista
como uma vocação da humanidade - você já
percebeu que o toque faz parte da sua vida? O jeito oriental de fazer
massagem nasceu na Índia, há mais de 6 mil anos, está
registrado nos Vedas e é quase tão antigo quanto o yoga.
A visão das linhas de energia, e de que cada apertãozinho
se liga a órgãos internos, às emoções
e ao seu equilíbrio, foi para a China, depois para o Japão
e em seguida para toda a Ásia. Em cada lugar, uma adaptação
à cultura local, um novo toque.
Na Grécia antiga, o pai da medicina, Hipócrates (470-410
a.C.), utilizava fricções no corpo para melhorar a circulação
sanguínea de seus pacientes. Nessa escola ocidental, estruturada
na anatomia humana, todas as conexões musculares com os ossos
e órgãos são revistas. Afinal, não dá
pra pensar em aliviar a freqüente tensão dos ombros sem,
muitas vezes, alongar as panturrilhas.
E vale
muito repensar sua relação com a gravidade - é
provável que você se lembre. aquela força que vai
nos empurrando para o chão e pressionando todo nosso esqueleto,
até o ponto do desgaste. A gravidade está presente em
qualquer ação que se faça, por menor que seja.
Existe,
é claro, uma sintonia - ou não - entre você, seu
desconforto, seu problema e a massagem ideal, o método, a técnica,
o jeito do terapeuta. Além disso, algo que se pode sentir na
pele: para cada necessidade, um jeito e uma combinação
de tocar. Pode-se sedar ou energizar. Usar um dedo só, ou vários,
a mão aberta ou fechada. Vale a palma da mão, o dorso,
o punho fechado, os cotovelos e até os pés. Agora, a escolha
de qual técnica é melhor para seu problema, isso é
subjetivo, é relativo, misterioso. Mas, é claro, rastreamos
algumas pistas e agora vamos a elas.
A
hora da escolha
Se você estiver em busca de outras possibilidades para seu corpo
físico, sente-se disposto a mudar sua postura e seu jeito de
andar, a RPG e o rolfing podem ser muito úteis. Ao pensar numa
revisão de hábitos, de jeito de viver, comer, e entrando
em uma visão de melhorar o funcionamento dos seus órgãos,
vale a pena pesquisar o tui ná, o shiatsu, a massagem ayurvédica
e a massagem thai.
Relaxamentos profundos, bastante indicados para excesso de trabalho
e estresse - você também deve saber do que estou falando.
- podem ser alcançados por meio da reflexologia e do watsu. Para
aprender a fazer em si mesmo, do in. Para aplicar nos bebês e
filhos pequenos, a shantala oferece ensinamentos simples e efetivos.
Experimente.
Quem se toca e toca os outros adota seu corpo, com alma e tudo. E entra
em contato com o que está além, para além das suas
mãos, para além de você.
Ayurvédica
- um passeio a pé pelas (suas) costas
Estava em paz até ter de tirar a calça. Diante da minha
paralisia, Veena Mukti, a terapeuta ayurvédica
- uma simpatia só -, confirmou se eu estava de cueca (estava)
e repetiu: "Sim, é para você tirar a calça".
O constrangimento inicial - recomendo a você ir com sua melhor
roupa íntima, para evitar um vexaminho - demorou um pouco a desaparecer,
mas à medida que a terapeuta me empurrava para vários
lados, alongando bem meu corpo, e depois que ela literalmente subiu
com os pés em minhas costas e, com eles, pressionou todos os
espaços tensos entre minhas costelas, relaxei. Qualquer um relaxaria
com aquilo.
Dentro
de uma medicina que indica dietas, remédios de ervas e meditação,
a massagem ayurvédica é uma técnica por vezes vigorosa,
estimulante, que libera as toxinas presas aos músculos. Traz
calor ao corpo, alinha a postura.
Essa ciência
da vida começou na Índia, há mais de 6 mil anos.
A visão ayurvédica compreende a existência de cinco
elementos - o espaço, o ar, o fogo, a água e a terra -
combinados em três doshas, ou humores, e que cada um de nós
se encaixa em um desses humores (entenda mais a medicina ayurvédica
revisitando a edição 5 de vida simples). Assim, a essência
escolhida - a massagem ayurvédica usa e abusa de óleos
aromáticos e extratos de ervas medicinais - irá combinar
com o seu tipo de humor.
Maurício
Stellato, que se submete a essa massagem há três meses,
teve uma melhora tão radical nas dores das suas costas que a
transformação mais marcante em sua vida foi exatamente
essa: "Meu humor melhorou radicalmente". E isso, como sabemos,
faz toda a diferença.
Do
in - para você e sua família
Cresci folheando o pequeno livro, hoje bem amarelado. Achava aquele
do in bacana, mas tinha minhas dúvidas. Quando iria precisar
apertar todos aqueles pontos? Para que, afinal, aliviar a ansiedade?
Como alguém poderia ter insônia? Aos 10 anos de idade,
tudo isso era improvável. Não imaginava quantas vezes
esses conhecimentos poderiam ter sido úteis até hoje.
O do in é uma técnica milenar chinesa. No Japão,
ganhou o nome atual, que significa "o caminho de casa" - casa
é o corpo, morada do espírito e do chi, a energia vital.
Seu primeiro e mais corriqueiro uso é familiar, apesar de ter
sido popularizada como sinônimo de automassagem. Faz sentido.
Outro dia, ouvi de uma amiga que ela e a irmã diariamente faziam
do in no pai, quando este lutava contra o câncer. "No final,
a dor quase desapareceu", diz ela.
Fácil
de aplicar, o tratamento no do in baseia-se na pressão com o
polegar sobre os centros ou pontos de captação e armazenamento
de energia do organismo. "Ao conhecer esses pontos, você
pode dar uma geral em toda a energia do corpo e fazer, com as próprias
mãos, a manutenção diária de sua vitalidade",
diz Juracy Cançado, o introdutor do do in no Brasil.
Aprender
do in exige fazer cursos ou mergulhar em livros que mostram os inúmeros
pontos. Na página ao lado, porém, você encontra
algumas massagens rápidas que podem ser úteis.
Reflexologia
- o corpo nas entranhas do pé
O gato na janela parece querer entrar na casa, ao ver minha cara de
felicidade enquanto Ângela Amorim navega suas mãos por
meus pés. Ela vai me contando que nos pés há 26
ossos, 100 ligamentos e mais de 7 mil terminações nervosas.
A terapeuta de reflexologia segue ponto a ponto, hora pressionando,
hora deslizando, passando creme. Cada centímetro do pé
vai relaxando e, sim, é verdade, o corpo derrete junto. Em poucos
minutos dormi profundamente no sofá. "Nos pés encontram-se
áreas que refletem todos os órgãos e glândulas
do corpo. É muito importante tratar bem deles, pois são
a base do seu eixo vertical, é a direção da sua
vida", diz Angela.
Foi baseada
na medicina chinesa tradicional que a massagista americana Eunice Inghan
desenvolveu um método de massagem só com pressões
puntiformes sobre os pés. Para quem não gosta de expor
o corpo, esse é o toque. E, para quem se candidatar, um lembrete:
sempre é bom ir à sessão com seus pés bem
cuidados, evitando uma saia-justa.
Rolfing
- para ver novos horizontes
Ida Rolf, criadora do método rolfing - ou integração
estrutural pelo movimento - desenvolveu um trabalho que reorganiza completamente
nossa formação corporal, de maneira a equilibrar o móbile
que somos. Porque a relação do homem com a gravidade,
a reação de nossa estrutura perante essa lei poderosa,
varia conforme o modo como cada um de nós se posiciona e se locomove
no mundo.
Achei que ia ter uma sessão de "abrir o coração",
"soltar as emoções" (minha amiga Juliana me
contou assim sua experiência). Cheguei animadíssimo. Beatriz
Whitaker, terapeuta rolfista, estava na grama, esticando o corpo. Daí
que conversamos sobre a gravidade por quase duas horas em um banquinho
ao lado do gramado.
Ali, enquanto
anotava, comecei a sentir insistentes dores nos ombros após a
primeira maratoninha de conversa. Na hora, Bia me mostrou que eu estava
sentado de forma tal, e só ao mudar a maneira como apoiava os
pés no chão tive a tensão de meus ombros imediatamente
aliviada.
O rolfing
também é conhecido por demandar um mínimo de dez
sessões. É uma massagem profunda, que libera muitas tensões
acumuladas. "Tocamos as fáscias, uma membrana que nos envelopa
desde as fibras musculares até os ossos. Então, quando
você as toca, você devolve a elasticidade interna, que nos
é natural", afirma Bia.
Antes de
ir, outra dica: olhar pra frente enquanto andamos. Parece simples? Observe
alguém que anda olhando para baixo. Dá para ver seu pescoço
sendo puxado, suas costas se curvando pra frente. Imagine a gravidade
acertando essa estrutura torta, tensionando tudo mais ainda.
"Mostro
as possibilidades de uso do corpo humano, como podemos usar esse veículo
de forma menos desgastante, mais natural. A postura e a locomoção
corretas irão tirar as 'mochilas' extras, limpar os pesos do
corpo." Pensei que ia abrir o coração, mas acabei
ampliando minha visão, passei a olhar a vida de frente.
RPG
- pondo ordem na casa toda
Claro, aqui não estamos falando daquele jogo de cartas, mas sim
de reeducação postural global, uma técnica de fisioterapia
que, através de exercícios posturais, alongamentos musculares
e, claro, massagens, busca tirar a tensão das junções
dos músculos, que se sobrepõem. Esses engavetamentos são
comuns e ocorrem por erros de postura, respiração incorreta,
sua história de vida, sua genética - a tal mãozinha
de Deus. E aí é reordenar, reencaixar.
A fisioterapeuta Samira Zahr massageou um paciente na minha frente -
aliás, mais um aturdido jornalista que travou as costas. Ficamos
conversando enquanto os exercícios de postura eram penosamente
executados, ele mesmo curioso em saber o que estava acontecendo com
seu corpo e qual o significado dos toques.
"Antes
de relaxar os músculos e nervos, a RPG oferece estrutura, firmeza.
O principal é ensinar a pessoa a se manter, a se colocar de forma
correta, para que novas lesões não aconteçam",
diz Samira. "Não adianta aliviar as dores de alguém
se por hábitos posturais, sejam físicos ou emocionais,
essa pessoa continua a machucar seu corpo. Ela precisa adotar seu corpo
e cuidar sempre dele."
Uma parte
dos fisioterapeutas também utiliza a técnica GDS, que
são as iniciais do fisioterapeuta e osteopata belga Godelive
Denys-Struyf, responsável por seu desenvolvimento. O método
de trabalho criado pelo especialista nasceu de sua observação
de como os indivíduos utilizam o próprio corpo para realizar
diferentes movimentos.
Shantala
- amor aos recém-nascidos
Lembro-me de um tempo em que uma das melhores brincadeiras entre os
amigos era tentar adivinhar quem "ganharia Shantala" (o nome
da massagem é também o nome do livro que contém
os tais ensinamentos). A natureza estava pródiga e vários
casais engravidaram no mesmo ano. E a maioria começou a estudar
essa tradicional massagem indiana, que tem seus fundamentos no yoga
e na medicina ayurvédica.
Na Índia, a shantala é parte da cena familiar: todos praticam.
Desde o momento do nascimento, massageia-se o bebê com óleo,
inclusive quando ele chora. A massagem é feita com as mãos
e segue 20 movimentos definidos. As mães sabem que a ação
das mãos aumenta a circulação sanguínea
e a flexibilidade do bebê. Bom para as crianças, que recebem
a massagem todos os dias, até completarem 3 anos de idade. Depois,
irão receber shantala uma ou duas vezes por semana até
os 6 anos.
Essa tradição
passa de mãe para filho, de mulher para mulher da família.
(No Brasil, a Natura desenvolveu uma linha de produtos para a mãe
fazer shantala no bebê.)
Shiatsu
- dói pacas, mas é bom
Shi = dedo, atsu = pressão. Originário da China, o shiatsu
ganhou seu formato dolorido e preciso no Japão, onde fincou raízes,
fez história e criou método próprio. A técnica
oriental conjuga a massagem, alongamentos e a pressão dos dedos
tanto nos pontos de acupuntura como nos meridianos (canais por onde
a energia vital circula no corpo). É um tipo de "acupuntura
com os dedos". Através dos canais - os tais meridianos -
uma corrente vibracional circula conectando o céu (yang), no
centro espiral da cabeça, à terra (yin), na parte inferior
do corpo.
Impossível não dizer que shiatsu dói bastante.
Também impossível não esclarecer que o alívio
é proporcional às dores. Passado o furacão, sentimo-nos
nas nuvens, de tão leves. Um dos momentos mais felizes da massagem
é quando se encaixa o pescoço em um buraquinho da maca,
e ombros e nuca são massageados com certo vigor. Relaxa, e muito.
Mas o shiatsu
não precisa sempre de maca, pode ser aplicado no chão
ou no tatame. "O coração do shiatsu é como
o puro amor materno. A pressão das mãos faz fluir a fonte
da vida", diz um antigo provérbio.
Thai
- sopros da luz de buda
A antiga massagem thai faz parte da tradição médica
da Tailândia. Conta-se que foi desenvolvida por Jivaka Kumar Bhacca,
um contemporâneo de Buda, há cerca de 2 500 anos. A tradição
foi passada oralmente de geração em geração,
até que finalmente foi escrita na linguagem pali - em folhas
de palmeiras! - e vista como texto sagrado.
Até hoje é possível sentir uma atmosfera espiritual,
luminosa, que cerca essa prática. A medicina tradicional tailandesa
desenvolvida nos wats - ou monastérios - compreende também
remédios nutricionais, fitoterápicos, banhos e práticas
espirituais.
Essa massagem,
até há bem pouco tempo, era praticada somente por alguns
monges budistas. "Ao atender a população de suas
comunidades, os monges na verdade praticavam o toque da compaixão.
Esse é o sentimento da massagem tailandesa", afirma Javier
Pizarro, terapeuta thai.
Tui
ná - só com diagnóstico
Combinado com ervas, acupuntura e exercícios terapêuticos
- como o tai chi chuan -, o tui ná é um dos quatro pilares
da medicina chinesa. Ao buscar o equilíbrio do yin e do yang,
a medicina tradicional chinesa compreende que todo o corpo é
permeado e nutrido através de canais de energias (os meri-dianos),
os quais interconectam os órgãos e suas respectivas funções.
Assim, quando por meio das manipulações apropriadas do
tui ná o equilíbrio entre o yin e o yang é alcançado,
o indivíduo restabelece a saúde do seu corpo.
Por isso, cada estímulo tem um porquê. Cada segundo de
contato em um ponto tem um propósito específico no tratamento.
"A massagem é uma receita, feita com base em um dignóstico.
Ela é pensada e feita para tocar sua energia e afinar seu instrumento",
diz Alberto Fiaschitello, terapeuta de tui ná. Em geral, os tratamentos
são criteriosos e mudam conforme a necessidade do paciente.
Watsu
- de volta ao útero
O watsu, ou water-shiatsu, foi criado pelo americano Harold Dull nos
anos 60, após ele ter estudado no Japão com um mestre
em zen-shiatsu. As sessões são feitas em piscinas aquecidas.
O calor da água, associado à sensação de
ausência de peso, reduz a tensão muscular e traz alívio
para a dor e para uma melhor fluidez dos movimento dentro e fora da
água.
O corpo desliza, vai pra cá, pra lá, parece ser feto,
parece voltar ao útero. Com os alongamentos, ocorrem estímulos
aos canais de energia.
A verdade
é que a sessão, pra mim, trouxe um choro nos olhos, daqueles
que dão um sorriso no canto da boca. Não dá nem
vontade de contar a história do watsu, apenas lembrar daquela
flutuação. Sem dúvida, a grande massagista aqui
é a água.
Faça
você mesmo - abaixo, as dicas dos especialistas
"Um cabo de vassoura no chão é o ideal para tirar
os nódulos dos pés. Um pé de cada vez, pise bem
devagar, começando com as pontas dos dedos. Mantenha a posição
por 30 segundos. Depois apóie a planta dos pés e por fim
a base do calcanhar. Coloque novamente o pé no chão e
compare, sinta a diferença. Por fim, trabalhe o outro pé."
Samira Zahr, fisioterapia
"Mude de sapato no meio do dia, para não sacrificar seus
pés - eles não foram feitos para ficar abafados muito
tempo. Se isso não for possível, tire os sapatos por uma
meia hora. Na hora de deitar, com um creme hidratante, massageie todo
o pé. Aperte a palma, os dedinhos, entre eles. Ajuda a descansar
e dormir melhor." Ângela Amorim, reflexologia
"Durante
o dia, preste atenção em como você está sentado.
Ajuste o corpo do peso em cima dos ísquios - aqueles ossos que
sustentam seu corpo quando você se senta - e mantenha a postura
correta. Apóie os pés completamente no chão. Isso
irá lhe passar firmeza e você vai cansar menos." Beatriz
Whitaker, rolfing
"Aprender
a respirar usando o abdômen é importante.
Procure
levar o ar até o abdômen. Esse movimento do diafragma provoca
a massagem em todos os órgãos internos, o que traz inúmeros
benefícios. Sua mente se tranqüiliza, a circulação
melhora, o processo digestivo flui e a ansiedade diminui." Alberto
Fiaschitello, tui ná
Amigoterapeuta
- empatia com massagista é essencial
Um dos momentos reveladores numa sessão de massagem é
quando colocamos nosso pescoço nas mãos do massagista,
literalmente, para que ele, usando sua técnica, o faça
estalar. Ora, não é pra qualquer um que confiamos nosso
pescoço. Mesmo que seja um bom profissional, pessoa indicada
por amigos e tal, tudo é uma questão de olho no olho,
pele com pele. Se não bate, não bate.
Da mesma forma como ao encontrar alguém você intuitivamente
já gosta da pessoa ou não, isso vai valer para o terapeuta.
Você pode até se enganar em sua percepção,
cometer uma injustiça, mas eis um caso no qual é bem bom
seguir o coração. Porque, durante a massagem, não
dá pra ficar desconfiado, inseguro, pois isso pode criar uma
barreira, tirando a naturalidade dos gestos, do contato do massagista.
Uma linha fina, um caminho estreito. Com o tempo, o terapeuta pode se
tornar um amigo, um confidente, um conselheiro: ele vê em nosso
corpo uma história de vida e também o jeito como vivemos
hoje.